domingo, maio 15, 2005

Uma dúzia e meia

Sei que muita gente tem problemas sérios. Problemas graves com saúde, finanças, família, amor, etc. Mas tenho que fazer como os nerds complexados da internet, e usar o blog para desabafar.

Pouca gente vai ler este post, mas preciso documentar, nem que seja aqui, minha insatisfação com estes 18 elementos que se repetem diariamente em minha vida.

São momentos de esforço que, sinceramente, eu preferia não ter. Prejudicam minhas articulações, e, principalmente, me tornam um sujeito ainda mais arredio a qualquer tipo de atividade externa. As pessoas adoram me chamar de antipático, e reclamar que não saio, nem mesmo aos sábados e domingos, mas poucos entendem o porquê.

Antes de ler o resto, perceba que nem estou contando com os 3 primeiros, que são completamente inúteis, já que não me levam objetivamente, de um andar a outro. O meu problema mesmo são os 18 que aparecem em seqüência.

Me lembro que quando me mudei, pensei: “Porra... É só um andar. Tudo bem subir de escada.”. Nessa hora não percebi que as quase duas dezenas de degraus desgraçados. Que nem ao menos são uniformes. O sacrifício para superá-los não é algo contínuo. Não basta ter paciência, já que quando se chega na curva, alguns ficam mais largos e, portanto, exigem mais passos, e mais disposição do corajoso que tenta ultrapassá-los.

Para ficar menos ridículo, vamos a um exemplo prático. Observaremos a rotina de um fim-de-semana de um homem típico de classe média da Zona Norte.

*9h Acordar. Ir ao banheiro e trocar de roupa.

*9h10 Comprar pão e jornal. (36 degraus)

*10h Tomar banho, trocar de roupa, tomar o café, ler o jornal e assistir TV.

*12h Almoço com a família (+18 degraus)

*14h Volta do almoço (+18 degraus)

*17h Pelada com os amigos, ou cinema com namorada (18 degraus)

*20h Volta da pelada ou cinema (+18 degraus)

*22h Jogar o lixo fora (+36 degraus)

No exemplo acima, consigo percorrer, em apenas um dia, 144 degraus.

Tente perceber, amigo leitor, que não se trata de um dia muito agitado. É um dia sem trabalho ou faculdade, e para piorar, as atividades são as mais básicas. Veja que não computei pequenas atividades que me exigiriam subir e descer as escadas rapidamente, como procurar algo na caixa de correspondência, ou abrir o portão para alguém que chega depois das 22h, quando já está trancado.

Se nos basearmos neste pequeno número, chegaremos ao resultado de 4.320 degraus por mês. O que significa que, desde que me mudei para o Lins, em Março de 2003, percorri cerca de 112.000 degraus. Se estimarmos que em cada degrau eu perco 1 kcal, perceberemos que se houvesse um elevador no prédio, hoje eu seria mais ou menos como o Gilberto Barros.

Se formos um pouco mais longe, e pensarmos nos 500 degraus do Corcovado, concluiremos que eu subiria mais de 220 vezes os aclives que dão na estátua de nosso querido Messias. Acho que não preciso nem contar sobre a Canadian National Tower, que possui a mais longa escada do mundo, com 1776 degraus, que eu poderia ter subido e descido mais de 30 vezes.

Portanto, a partir de agora, espero que entendam porque me comporto como um velho ermitão do Nepal, e não me encham mais o saco convidando para as tais “baladas” (que gíria horrível). Tenho mais o que fazer.

E viva o delivery!!!!

3 Comments:

At 17/5/05 13:39, Anonymous Anônimo said...

a pizza cash ainda entrega aí?
isso é realmente uma coisa que facilita a vida!

 
At 24/5/05 23:49, Anonymous Anônimo said...

Puta merda!!!

Ass: Tato

 
At 24/6/05 11:24, Anonymous Anônimo said...

desconta a vez q vc esqueceu a chave e subiu pela varanda...
Ok?

 

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